16 de julho de 2012

A Receita da Felicidade



Tadeu, que era dos comentaristas mais inflamados, no culto da Boa Nova, em casa de Pedro, entusiasmara-se na reunião, relacionando os imperativos da felicidade humana e clamando contra os dominadores de Roma e contra os rabinos do Sinédrio.






Tocado de indisfarçável revolta, dissertou largamente sobre a discórdia e o sofrimento reinantes no povo, situando-lhes a causa nas deficiências políticas da época, e, depois que expendeu várias considerações preciosas, em torno do assunto, Jesus perguntou-lhe:






- Tadeu, como interpreta você a felicidade?






- Senhor, a felicidade é a paz de todos.






O Cristo estampou significativa expressão fisionômica e ponderou:






- Sim, Tadeu, isto não desconheço; entretanto, estimaria saber como se sentiria você realmente feliz.






O discípulo, com algum acanhamento, enunciou:






- Mestre, suponho que atingiria a suprema tranqüilidade se pudesse alcançar a compreensão dos outros.






Desejo, para esse fim, que o próximo me não despreze as intenções nobres e puras.






Sei que erro, muitas vezes, porque sou humano; entretanto, ficaria contente se aqueles que convivem comigo me reconhecessem o sincero propósito de acertar.






Respiraria abençoado júbilo se pudesse confiar em meus semelhantes, deles recebendo a justa consideração de que me sinta credor, em face da elevação de meu ideal.






Suspiro pelo respeito de todos, para que eu possa trabalhar sem impedimentos.






Regozijar-me-ia se a maledicência me esquecesse.






Vivo na expectativa da cordialidade alheia e julgo que o mundo seria um paraíso se as pessoas da estrada comum se tratassem de acordo com o meu anseio honesto de ser acatado pelos demais.






A indiferença e a calúnia doem-me no coração.






Creio que o sarcasmo e a suspeita foram organizados pelos Espíritos das trevas, para tormento das criaturas.






A impiedade é um fel quando dirigida contra mim, a maldade é um fantasma de dor quando se põe ao meu encontro.






Em razão de tudo isso, sentir-me-ia venturoso se os meus parentes, afeiçoados e conterrâneos me buscassem, não pelo que aparento ser nas imperfeições do corpo, mas pelo conteúdo de boa-vontade que presumo conservar em minhalma.






Acima de tudo, Senhor, estaria sumamente satisfeito se quantos peregrinam comigo me concedessem direito de experimentar livremente o meu gênero de felicidade pessoal, desde que me sinta aprovado pelo código do bem, no campo de minha consciência, sem ironias e críticas descabidas.






Resumindo, Mestre, eu queria ser compreendido, respeitado e estimado por todos, embora não seja, ainda, o modelo de perfeição que o Céu espera de mim, com o abençoado concurso da dor e do tempo.






Calou-se o apóstolo e esboçou-se, na sala singela, incontido movimento de curiosidade ante a opinião que o Cristo adotaria.






Alguns dos companheiros esperavam que o Amigo Celeste usasse o verbo em comprida dissertação, mas o Mestre fixou os olhos muito límpidos no discípulo e falou com franqueza e doçura:






- Tadeu, se você procura, então, a alegria e a felicidade do mundo inteiro, proceda para com os outros, como deseja que os outros procedam para com você. E caminhando cada homem nessa mesma norma, muito breve estenderemos na Terra as glórias do Paraíso.










XAVIER, Francisco Cândido. Jesus no Lar. Pelo Espírito Neio Lúcio. FEB.










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Viver pela Fé



"Mas o justo viverá pela fé." - Paulo. (ROMANOS, capítulo 1, versículo 17.)






Na epístola aos romanos, Paulo afirma que o justo viverá pela fé.






Não poucos aprendizes interpretaram errada-mente a assertiva. Supuseram que viver pela fé seria executar rigorosamente as cerimônias exteriores dos cultos religiosos.






Freqüentar os templos, harmonizar-se com os sacerdotes, respeitar a simbologia sectária, indicariam a presença do homem justo. Mas nem sempre vemos o bom ritualista aliado ao bom homem. E, antes de tudo, é necessário ser criatura de Deus, em todas as circunstâncias da existência.






Paulo de Tarso queria dizer que o justo será sempre fiel, viverá de modo invariável, na verdadeira fidelidade ao Pai que está nos céus.






Os dias são ridentes e tranqüilos? tenhamos boa memória e não desdenhemos a moderação.






São escuros e tristes? confiemos em Deus, sem cuja permissão a tempestade não desabaria. Veio o abandono do mundo? o Pai jamais nos abandona. Chegaram as enfermidades, os desenganos, a ingratidão e a morte? eles são todos bons amigos, por trazerem até nós a oportunidade de sermos justos, de vivermos pela fé, segundo as disposições sagradas do Cristianismo.










XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, Verdade e Vida. Pelo Espírito Emmanuel. 28.ed. Brasília: FEB, 2009. Capítulo 23.










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15 de julho de 2012

Questões 180 a 183 - Encarnação nos Diferentes Mundos



Respostas dos Espíritos Superiores a Allan Kardec no Livro dos Espíritos.
180. Passando deste planeta para outro, conserva o Espírito a inteligência que aqui tinha?
"Sem dúvida; a inteligência não se perde. Pode, porém, acontecer que ele não disponha dos mesmos meios para manifestá-la, dependendo isto da sua superioridade e das condições do corpo que tomar." (Veja-se: "Influência do organismo". cap. VII, para 2ª.)
181. Os seres que habitam os diferentes mundos têm corpos semelhantes aos nossos?
"É fora de dúvida que têm corpos, porque o Espírito precisa estar revestido de matéria para atuar sobre a matéria. Esse envoltório, porém, é mais ou menos material, conforme o grau de pureza a que chegaram os Espíritos. É isso o que assinala a diferença entre os mundos que temos de percorrer, porquanto muitas moradas há na casa de nosso Pai, sendo, conseguintemente, de muitos graus essas moradas. Alguns o sabem e desse fato têm consciência na Terra; com outros, no entanto, o mesmo não se dá."
182. É-nos possível conhecer exatamente o estado físico e moral dos diferentes mundos?
"Nós, Espíritos, só podemos responder de acordo com o grau de adiantamento em que vos achais. Quer dizer que não devemos revelar estas coisas a todos, porque nem todos estão em estado de compreendê-las e semelhante revelação os perturbaria."
Comentário de Allan Kardec
À medida que o Espírito se purifica, o corpo que o reveste se aproxima igualmente da natureza espírita. Torna--se-lhe menos densa a matéria, deixa de rastejar penosamente pela superfície do solo, menos grosseiras se lhe fazem as necessidades físicas, não mais sendo preciso que os seres vivos se destruam mutuamente para se nutrirem. O Espírito se acha mais livre e tem, das coisas longínquas, percepções que desconhecemos. Vê com os olhos do corpo o que só pelo pensamento entrevemos.
Da purificação do Espírito decorre o aperfeiçoamento moral, para os seres que eles constituem, quando encarnados. As paixões animais se enfraquecem e o egoísmo cede lugar ao sentimento da fraternidade. Assim é que, nos mundos superiores ao nosso, se desconhecem as guerras, carecendo de objeto os ódios e as discórdias, porque ninguém pensa em causar dano ao seu semelhante. A intuição que seus habitantes têm do futuro, a segurança que uma consciência isenta de remorsos lhes dá, fazem que a morte nenhuma apreensão lhes cause. Encaram-na de frente, sem temor, como simples transformação.
A duração da vida, nos diferentes mundos, parece guardar proporção com o grau de superioridade física e moral de cada um, o que é perfeitamente racional. Quanto menos material o corpo, menos sujeito às vicissitudes que o desorganizam. Quanto mais puro o Espírito, menos paixões a miná-lo. É essa ainda uma graça da Providência, que desse modo abrevia os sofrimentos.
183. Indo de um mundo para outro, o Espírito passa por nova infância?
"Em toda parte a infância é uma transição necessária, mas não é, em toda parte, tão obtusa como no vosso mundo."
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 76.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1995.

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O Pão Nosso de Cada Dia Dá-nos Hoje



O pão nosso de cada dia não é somente o almoço e o jantar, o café e a merenda.
É também a idéia e o sentimento, a palavra e a ação.
Para que reine a saúde com alegria, em torno de nós, precisamos de nossas refeições, mas necessitamos também de paz e esperança, de fé e valor moral.
Com os nossos modos de agir, operamos sobre os outros.
Conversando, distribuímos nossos pensamentos.
Nossos atos influenciam os que nos cercam, segundo as nossas intenções.
Por isso, também os outros nos alimentam com as suas atitudes.
Se estimamos as conversações deprimentes, se buscamos a leitura de natureza inferior, depressa nos vemos alterados e perturbados, sem disso nos apercebermos.
As nossas companhias falam claramente de nós.
Nossas leituras revelam nosso intimo.
Procuremos, desse modo, o pão espiritual que nos garanta a harmonia interior, que conserve o nosso caráter firme sobre os alicerces do bem, que nos guarde contra a maldade e que nos ajude a ser exemplos de compreensão e fraternidade.
Em Jesus temos o pão que desceu do Céu.
E, ainda hoje, o Mestre continua alimentando o pensamento da Humanidade, por intermédio de um Livro - o Evangelho Divino, em que ele nos ensina, através da bondade e do amor, o caminho de nossa felicidade para sempre.
XAVIER, Francisco Cândido. Pai Nosso. Pelo Espírito Meimei. FEB.

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Questões 192 a 194 - Transmigrações Progressivas


Respostas dos guias espirituais para Allan Kardec no Livro dos Espíritos.
192. Pode alguém, por um proceder impecável na vida atual, transpor todos os graus da escala do aperfeiçoamento e tornar-se Espírito puro, sem passar por outros graus intermédios? 
"Não, pois o que o homem julga perfeito longe está da perfeição. Há qualidades que lhe são desconhecidas e incompreensíveis. Poderá ser tão perfeito quanto o comporte a sua natureza terrena, mas isso não é a perfeição absoluta. Dá-se com o Espírito o que se verifica com a criança que, por mais precoce que seja, tem de passar pela juventude, antes de chegar à idade da madureza; e também com o enfermo que, para recobrar a saúde, tem que passar pela convalescença. Demais, ao Espírito cumpre progredir em ciência e em moral. Se somente se adiantou num sentido, importa se adiante no outro, para atingir o extremo superior da escala. Contudo, quanto mais o homem se adiantar na sua vida atual, tanto menos longas e penosas lhe serão as provas que se seguirem."
192a. Pode ao menos o homem, na vida presente, preparar com segurança, para si, uma existência futura menos prenhe de amarguras? 
"Sem dúvida. Pode reduzir a extensão e as dificuldades do caminho.Só o descuidoso permanece sempre no mesmo ponto."
193. Pode um homem, nas suas novas existências, descer mais baixo do que esteja na atual? 
"Com relação à posição social, sim; como Espírito, não."
194. É possível que, em nova encarnação, a alma de um homem de bem anime o corpo de um celerado? 
"Não, visto que não pode degenerar."
194a. A alma de um homem perverso pode tornar-se a de um homem de bem? 
"Sim, se se arrependeu. Isso constitui então uma recompensa."
Comentário de Allan Kardec
A marcha dos Espíritos é progressiva, jamais retrograda. Eles se elevam gradualmente na hierarquia e não descem da categoria a que ascenderam. Em suas diferentes existências corporais, podem descer como homens, não como Espíritos. Assim, a alma de um potentado da Terra pode mais tarde animar o mais humilde obreiro e viceversa, por isso que, entre os homens, as categorias estão freqüentemente, na razão inversa da elevação das qualidades morais. Herodes era rei e Jesus, carpinteiro.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 76.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1995.

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O Companheiro



"Não devias tu igualmente ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?" - Jesus. (MATEUS, capítulo 18, versículo 33.)
Em qualquer parte, não pode o homem agir, isoladamente, em se tratando da obra de Deus, que se aperfeiçoa em todos os lugares.
O Pai estabeleceu a cooperação como princípio dos mais nobres, no centro das leis que regem a vida.
No recanto mais humilde, encontrarás um companheiro de esforço.
Em casa, ele pode chamar-se "pai" ou "filho"; no caminho, pode denominar-se "amigo" ou "camarada de ideal".
No fundo, há um só Pai que é Deus e uma grande família que se compõe de irmãos.
Se o Eterno encaminhou ao teu ambiente um companheiro menos desejável, tem compaixão e ensina sempre.
Eleva os que te rodeiam.
Santifica os laços que Jesus promoveu a bem de tua alma e de todos os que te cercam.
Se a tarefa apresenta obstáculos, lembra-te das inúmeras vezes em que o Cristo já aplicou misericórdia ao teu espírito. Isso atenua as sombras do coração.
Observa em cada companheiro de luta ou do dia uma bênção e uma oportunidade de atender ao programa divino, acerca de tua existência.
Há dificuldades e percalços, incompreensões e desentendimentos? Usa a misericórdia que Jesus já usou contigo, dando-te nova ocasião de santificar e de aprender.
XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, Verdade e Vida. Pelo Espírito Emmanuel. 28.ed. Brasília: FEB, 2009. Capítulo 20.

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14 de julho de 2012

Consciência do Dever



O fato de médicos e hospitais de vários municípios do Rio Grande do Sul terem se recusado a fazer o abortamento em uma adolescente de 14 anos, apesar da autorização judicial que trazia consigo, foi manchete nas mídias.
Segundo as notícias, a jovem disse que sua gravidez foi fruto de estupro e obteve do Juiz a permissão para realizar o aborto, isentando médicos e hospitais que se dispusessem a eliminar a vida que pulsava em seu ventre.
Embora o Juiz tenha autorizado o aborto, não lhe caberia o direito de obrigar ninguém a realizar o feito, pois nem sempre a legalidade de um ato o torna moral.
O que vale ressaltar na atitude desses médicos é a consciência do dever. O dever assumido, perante si mesmos, de defender a vida.
?O dever é a obrigação moral da criatura para consigo mesma, primeiro, e, em seguida, para com os outros.?
Ao concluírem o curso os médicos fazem um juramento, o mesmo juramento feito por Hipócrates, um sábio grego que viveu no século v antes de cristo, e é considerado o pai da medicina.
O juramento diz o seguinte:
"Eu, solenemente, juro consagrar minha vida a serviço da humanidade. Darei como reconhecimento a meus mestres, meu respeito e minha gratidão. Praticarei a minha profissão com consciência e dignidade."
"A saúde dos meus pacientes será a minha primeira preocupação. Respeitarei os segredos a mim confiados."
"Manterei, a todo custo, no máximo possível, a honra e a tradição da profissão médica. Meus colegas serão meus irmãos."
"Não permitirei que concepções religiosas, nacionais, raciais, partidárias ou sociais intervenham entre meu dever e meus pacientes."
"Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção."
"Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza."
"Faço estas promessas, solene e livremente, pela minha própria honra."
Ao fazer tal juramento, o médico passa a ter um dever moral consigo mesmo. E, se o violar, estará ferindo a própria consciência.
Ao se comprometer com esse ideal, o médico também estabelece o dever para com os outros, que é o segundo passo do dever ético-moral.
Lamentável é que muitos desses homens e mulheres que juraram, solene e livremente, que manteriam o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção, usem seus conhecimentos médicos para eliminar a vida que pulsa no santuário do ventre materno.
Por outro lado, é admirável a coragem e a honra desses homens e mulheres que não se permitem sujar as mãos com sangue inocente, mesmo sob qualquer pressão.
Isso porque sabem que, se agirem em desacordo com o juramento feito por livre vontade, não terão como se olhar no espelho da consciência e enxergar um cidadão honrado.
*
O dever é a lei da vida. Com ele deparamos nas mais ínfimas particularidades, como nos atos mais elevados.
Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de cumprir-se, por se achar em antagonismo com as atrações do interesse e do coração. Não têm testemunhas as suas vitórias e não estão sujeitas à repressão suas derrotas.
O dever principia, para cada um de nós, exatamente no ponto em que ameaça a felicidade ou a tranqüilidade do nosso próximo; acaba no limite que não desejamos ninguém transponha com relação a nós.
O dever é o mais belo laurel da razão; descende desta como de sua mãe o filho.
O homem tem de amar o dever, não porque preserve de males a vida, males aos quais a humanidade não pode subtrair-se, mas porque confere à alma o vigor necessário ao seu desenvolvimento.
O dever cresce e irradia sob mais elevada forma, em cada um dos estágios superiores da humanidade.
Jamais cessa a obrigação moral da criatura para com Deus. Tem esta de refletir as virtudes do eterno, que não aceita esboços imperfeitos, porque quer que a beleza da sua obra resplandeça a seus próprios olhos.
Equipe de Redação do Momento Espírita.

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A Virtude



A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades do homem virtuoso. Infelizmente, quase sempre as acompanham pequenas enfermidades morais que as desornam e atenuam. Não é virtuoso aquele que faz ostentação da sua virtude, pois que lhe falta a qualidade principal: a modéstia, e tem o vício que mais se lhe opõe: o orgulho. A virtude, verdadeiramente digna desse nome, não gosta de estadear-se. Adivinhamna; ela, porém, se oculta na obscuridade e foge à admiração das massas. S. Vicente de Paulo era virtuoso; eram virtuosos o digno cura d'Ars e muitos outros quase desconhecidos do mundo, mas conhecidos de Deus. Todos esses homens de bem ignoravam que fossem virtuosos; deixavam-se ir ao sabor de suas santas inspirações e praticavam o bem com desinteresse completo e inteiro esquecimento de si mesmos.
À virtude assim compreendida e praticada é que vos convido, meus filhos; a essa virtude verdadeiramente cristã e verdadeiramente espírita é que vos concito a consagrar-vos. Afastai, porém, de vossos corações tudo o que seja orgulho, vaidade, amor-próprio, que sempre desadornam as mais belas qualidades. Não imiteis o homem que se apresenta como modelo e trombeteia, ele próprio, suas qualidades a todos os ouvidos complacentes. A virtude que assim se ostenta esconde muitas vezes uma imensidade de pequenas torpezas e de odiosas covardias.
Em princípio, o homem que se exalça, que ergue uma estátua à sua própria virtude, anula, por esse simples fato, todo mérito real que possa ter. Entretanto, que direi daquele cujo único valor consiste em parecer o que não é? Admito de boamente que o homem que pratica o bem experimenta uma satisfação íntima em seu coração; mas, desde que tal satisfação se exteriorize, para colher elogios, degenera em amor-próprio.
O vós todos a quem a fé espírita aqueceu com seus raios, e que sabeis quão longe da perfeição está o homem, jamais esbarreis em semelhante escolho. A virtude é uma graça que desejo a todos os espíritas sinceros. Contudo, dir-lhes-ei: Mais vale pouca virtude com modéstia, do que muita com orgulho. Pelo orgulho é que as humanidades sucessivamente se hão perdido; pela humildade é que um dia elas se hão de redimir. François-Nicolas- Madeleine. (Paris, 1863.)
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. Capítulo 17. item 8. Livro eletrônico gratuito em http://www.febnet.org.br.

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Auto-Doação



"893. Qual a mais meritória de todas as virtudes? "Toda virtude tem seu mérito próprio porque todas indicam progresso na senda do bem. Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores. A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade". O LIVRO DOS ESPÍRITOS
Aprende a doar-te, se desejas atingir a prática legítima do Evangelho. Pregador que se alça à tribuna dourada, derramando conceitos brilhantes mas não se gasta nos labores que propõe é apenas máquina de falar, inconsciente e inconsequente.
O verdadeiro aprendiz da Boa Nova está sempre a postos.
Se convidado a dar algo, abre a bolsa humilde, e, recordando-se da parábola da viúva pobre, oferta o seu óbulo sem constrangimento.
Se chamado a dar-se, empenha-se no trabalho, gastando-se em amor, consumindo as energias recordando o Mestre na carpintaria nobre.
Há muita gente nas fileiras do Cristianismo que ensina com facilidade, utilizando linguagem escorreita, falando ou escrevendo, mas logo que é convocada a dar ou doar-se recua apressadamente ferida no amor próprio.
Prefere as posições superiores de mando, distante das honrosas situações do serviço.
Pode ser comparada a parasitas em alta posição na árvore de que se nutrem, inúteis.
Em comezinhos exemplos, encontrarás, no quotidiano, o ajudar-gastando-se.
A pedra que afia a lâmina, consome-se no mister.
A grafite que escreve, desaparece enquanto registra.
O sabão que higieniza, dissolve-se, atendendo ao objetivo.
Em razão disso, não receies sofrer nas tarefas a que te propões.
São os maus que te necessitam. Os enfermos te aguardam e os infelizes confiam em ti.
Pede a ti mesmo, algo por ele, e embora o teu verbo não tenha calor nem a tua pena seja portadora da fraseologia retumbante, haverá sempre muita beleza em teus atos e muita bondade em teus gestos quando dirigidos àqueles para quem, afinal, a Boa Nova está no mundo, recordando que Jesus, após cada pregação sublime, dava-se a si mesmo para a felicidade geral.
A estes oferecia a palavra de alento e paz.
Àqueles ministrava, compassivo, lições de vida e gestos de amor.
A uns abria os olhos fechados ou os ouvidos moucos.
A outros lavava as mazelas em forma de pústulas ou recuperava a paz, afastando os Espíritos infelizes.
E a todos se doava, sem cessar, cantando a Boa Nova e vivendo-a entre os sofredores até a Cruz, que transformou em ponte de luz na direção da Vida Imperecível.
FRANCO, Divaldo Pereira. Espírito e Vida. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 10.

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Portal para o Triunfo



A morte, sempre detestada, especialmente quando chega interrompendo a infância e a juventude, ou mesmo quando se encarrega de arrebatar os afetos que constituem estímulos à luta e exemplos de coragem e dignidade, prossegue incompreendida e malsinada.
Anelada pelos desesperados, que esperam com o seu concurso encerrar a existência que se lhes apresenta como desfavor ou castigo, é evitada, a todo custo, pelos que desfrutam das alegrias e dos prazeres, transferindo-a para um futuro que esperam não seja alcançado rapidamente.
Frutos do materialismo ambos os comportamentos, ou da pobreza religiosa que não dispõe de recursos para assegurar a confiança na imortalidade, a desencarnação permanece como um grande enigma para os viandantes da esfera carnal.
Envolta em mistério pela tradição cultural de muitos povos, ou significando gesto de estoicismo e de valor, na expectativa de recompensas no Além, surge, no suicídio, como um recurso valioso para a glória daquele que se permite a covarde fuga dos elevados compromissos, especialmente quando esse gesto tem caráter religioso ou político, ceifando outras vidas...
O terrorismo internacional encontrou nesse terrível engano, o gatilho para destruir existências louçãs, estimulando o crime hediondo, mediante falsas promessas de júbilos e de prazeres inexcedíveis no mundo espiritual, como se o suicídio ampliado em homicídio merecesse recompensa ao invés de punição.
A morte, no entanto, é o encerramento da injunção biológica, nas suas sucessivas transformações, colocando reticências numa fase do processo da vida, ao tempo que faculta a abertura de um portal pra o triunfo na imortalidade.
É compreensível que se busque aproveitar ao máximo a oportunidade carnal, ampliando o tempo e as condições favoráveis à existência planetária, tendo-se, porém, na mente que, por mais se prolongue esse périplo, momento surgirá em que será naturalmente interrompido, graças aos mais diferentes fatores que lhe sejam a causalidade.
A vida certamente não gastaria mais de dois bilhões de anos para organizar as moléculas desde as mais primárias até os complexos mecanismos cerebrais como os de outros órgãos, para, num determinismo trágico, logo as destruir, aniquilando-as nas suas transformações químicas e biológicas.
Desse modo, a morte é um portal de acesso a outra dimensão de onde a vida se originou, a fim de ser realizado um objetivo adrede estabelecido que é o aperfeiçoamento intelecto-moral do Espírito, na busca da plenitude.
Desagregam-se as partículas e reoganizam-se, incessantemente, obedecendo a leis desconhecidas que lhes trabalham a essência dentro de uma programação clara a e lógica denominada vida.
Por que o ser humano deveria aniquilar-se, quando os fatos comprovam amiúde a sua sobrevivência?
Para aqueles que somente veem o lado hedonista da existência, o ideal seria que a morte lhes significasse o término de todos os esforços e lutas, anulando-os no nada. Como, porém, o nada não existe, não passa de uma concepção existencialista sem qualquer fundamento científico...
Morte, portanto, é prosseguimento da vida.
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A angústia provocada pela morte de um ser querido é compreensível e justa, em razão da ruptura dos liames da afetividade firmada na convivência, no contato físico, na estruturação do grupo social. Não, poucas vezes, transforma-se em desalento, perda de sentido existencial daquele que fica no corpo, empurrando-o para os transtornos graves da depressão...
Nada obstante, cultivada a certeza do prosseguimento da vida, a saudade é substituída pela esperança do reencontro, das evocações felizes que devem preencher os espaços vazios e a ternura de todos os momentos ditosos, transformando-se em estímulo para as ações dignificantes em memória daquele que viajou antecipadamente....
A morte é, portanto, um fenômeno natural e abençoado que encerra largos processos de sofrimento, de desvitalização, de perturbações emocionais e mentais, de enfermidades degenerativas e dolorosas, alargando os horizontes da vida em novos mecanismos antes adormecidos.
Vivendo-se num universo onde tudo se transforma em incessantes mecanismos de energia vigorosa, o ser humano é o resultado da mais avançada tecnologia transcendental, elaborado por Deus e pelos Seus excelsos programados da vida, a fim de que alcance o nível de luminosidade, num retorno à Causa que o originou.
O essencial é viver-se no corpo com todo o respeito pela sua organização e pelos mecanismos emocionais e mentais, intelectualizando a matéria, que se tornará menos densa e penosa no processo de evolução. Todos os desafios e incertezas, dificuldades e problemas constituem instrumentos pedagógicos que promovem o progresso, ensejando o conhecimento libertador da ignorância, ao mesmo tempo facultando a edificação dos sentimentos superiores em direção a todas as criaturas.
Uma existência humana é grande investimento da Divindade que a elaborou, tendo por meta o seu crescimento moral e espiritual, na superação dos atavismos do comportamento inicial, para alcançar os patamares sublimes da perfeição relativa que lhe está destinada desde o começo.
Os instintos, que são uma forma de inteligência embrionária, alcançarão o nível de sentimentos edificantes, deixando, à margem, as paixões primitivas e defensivas para permitir que o amor reine soberano em todos os seus pensamentos e atos.
Viver, pois, no corpo, não é apenas experienciar-lhe as sensações básicas e primárias; sobretudo, é vivenciar os sublimes sentimentos da paz e da fraternidade que devem viger entre todos os seres humanos.
Tarefa ingente e inadiável essa, convocando todos ao esforço da transformação moral para melhor, num infatigável trabalho de autoiluminação.
Eis porque o Espiritismo propõe o sentido psicológico da existência humana, que pode ser reduzido a três fatores essenciais: o amor em todos os seus aspectos, o trabalho de dignificação pessoal e da sociedade, e, por fim, a transformação de qualquer tragédia ? mortes prematuras, processos de injustiça, doenças irreversíveis, dificuldades econômicas e acontecimentos infelizes ? em triunfo pessoal no largo jornadear pelas sinuosas estradas físicas, como prescrevia o admirável psiquiatra austríaco Viktor Frankl.
Desse modo, quando ocorre a morte, de maneira alguma será interrompido o processo de crescimento do Espírito, tornando-se um renascimento em outra dimensão, qual sucede com a reencarnação, que pode ser considerada como uma forma de morte no arcabouço material.
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Não te desesperes ante o falecimento de um ser querido, que parece haver-te abandonado...
Ele viajou de retorno ao Grande Lar, onde te aguarda com ternura e gratidão.
Se foste feliz ao seu lado, recorda-te de todos os momentos de júbilo e envolve-o em evocações afetuosas e de gratidão. Nada obstante, se foi causa de muitos padecimentos, agradece a Deus a felicidade de haveres resgatado os teus débitos para com ele, e prossegue adiante firmado em valores positivos de homenagem à vida.
Tudo vibra, tudo vive, e o ser humano jamais morre.
Divaldo Pereira Franco. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Psicografia de Divaldo Pereira Franco, no dia 7 de junho de 2011, na residência de Josef Jackulak, em Viena, Áustria. Fonte: http://www.divaldofranco.com/mensagens.php?not=272.

* * * Estude Kardec * * *